Viver com Aids::::

25.11.2004-Pesquisa sobre comportamento sexual dos Brasileiros é destaque em Jornais de São Paulo

A pesquisa sobre o comportamento sexual dos brasileiros divulgada pelo Ministério da Saúde foi destaque nos jornais paulista O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo. O primeiro veículo enfatizou a vulnerabilidade do consumidor de cocaína em relação ao HIV, e o segundo, a maior incidência do uso de preservativo entre os homens que fazem sexo com homens.

GAY USA MAIS CAMISINHA QUE HETEROSSEXUAL
Pesquisa do Ministério da Saúde divulgada ontem mostra que a população brasileira sexualmente ativa possui bons níveis de conhecimento sobre HIV, mas aponta preocupação com prevenção de mulheres jovens, população mais pobre e moradores do Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

A pesquisa traz dados novos sobre a população de HSH (homens que fazem sexo com homens), mostrando que entre eles o uso de preservativo é maior do que entre heterossexuais. Os HSH são cerca de 3,5% da população de 15 a 54 anos -considerada sexualmente ativa. De acordo com a pesquisa, o percentual de HSH que usa camisinha regularmente (44,3%) é quase o dobro de heterossexuais (28,2%).
 
CONSUMIDOR DE COCAÍNA TEM MAIOR RISCO DE CONTRAIR AIDS
Pesquisa do governo com 6mil pessoas em todas as regiões do País revela que eles têm comportamento de risco maior
 
Uma pesquisa divulgada ontem pelo Ministério da Saúde demonstra que pessoas que cheiram cocaína têm um comportamento de risco para aids maior do que a população que nunca usou a droga. O trabalho mostra que consumidores da droga costumam usar com menos freqüência preservativos e apresentam maior número de parceiros sexuais.

O estudo, que analisou entrevistas feitas com 6 mil pessoas, residentes em todas as regiões do País, procura avaliar o conhecimento da população sobre aids e o comportamento adotado para evitar a doença. “A partir desses estudos, vamos nortear nosso trabalho de prevenção e de diagnóstico precoce”, afirmou o coordenador do Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis/ Aids, Pedro Chequer.

Entre os alvos principais está a população residente na Região Norte. Lá estão registradas as porcentagens mais elevadas de indivíduos que têm mais de dez parceiros durante a vida. Além disso, a população da região inicia mais precocemente a vida sexual.

O trabalho mostra que, dentre os entrevistados, 59% usam regularmente camisinha durante as relações sexuais. Um índice idêntico ao da Índia. Dos entrevistados, 28% disseram já ter feito o teste de HIV. Chequer, no entanto, afirmou que não há hipótese de se testar toda a população para aids. “Não é economicamente viável”, disse. “Temos de melhorar os testes entre mulheres gestantes e melhorar o acompanhamento entre a população com comportamento de risco.”

Entre os grupos considerados com maior risco estão os homens que fazem sexo com homens, consumidores de drogas injetáveis e os que cheiram cocaína. Entre homossexuais, o trabalho revela que, apesar de eles terem multiplicidade maior de parceiros, o uso de preservativos é bem maior do que entre os heterossexuais. Isso é constatado tanto nas relações estáveis como nos casos dos parceiros eventuais.
Texto de: Lígia Formenti
 

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