Viver com AIDS::::

  Avanço da medicina faz com que jovens afrouxam na prevenção contra a Aids.

Devido à propagandas enganosas e aos avanços da medicina no tratamento dos portadores do HIV, onde já se é capaz inibir a proliferação do vírus, aumentar a sobrevida dos pacientes e a qualidade do seu cotidiano com as novas drogas desenvolvidas, o número de homossexuais que em 1996 representava 8% das contaminações, hoje somam cerca de 15%.
Esse aumento se deve a mudança de comportamento dos jovens que, antes preocupados em proteger-se, já que a doença significava um sentença de morte, hoje, erroneamente acreditam que a Aids pode ser considerada uma doença crônica, ou seja, que se pode viver sem grandes complicações. 

"Muitos dos homossexuais que iniciam a vida sexual nos dias de hoje não viveram os dramas da geração anterior e não vêem a necessidade de adotar as mesmas práticas. Assim também agem milhões de adolescentes heterossexuais", sintetizou o médico Dráuzio Varella em um artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo. 

A grande mudança de comportamento pode ser exemplificada através das inúmeras festas importadas dos EUA. Trata-se de uma sala escura, "dark room", que se destina única e exclusivamente à prática do sexo onde, dificilmente a camisinha faz presença.

Com o crescimento dos casos entre homossexuais, o governo brasileiro, que é modelo para o mundo no que se refere ao tratamento aos portadores da AIDs, sente agora que é preciso fazer algo contra a proliferação da Aids. Sabe-se que é necessário que sejam feitas campanhas permanentes de esclarecimento e prevenção destinado aos diversos grupos ,e até o momento o Ministério da Saúde jamais dedicou uma única peça de esclarecimento destinada ao público homossexual. Só agora, é que se pensa em fazer algo nesse sentido. 

O que deve-se deixar bem claro é que, apesar de todo avanço conviver com o vírus não é tão simples. Os medicamentos, que podem passar de 15 por dia, só surtem efeito se tomados à risca. Como vários pacientes abandonam o tratamento, o risco do vírus tornar-se mais resistente aumenta à cada dia, além de, em alguns casos o organimos simplesmente deixa de responder ao tratamento. 

Aids

Relatório da ONU alerta sobre o avanço da AIDS

Divulgado no final de junho, o relatório distribuido pela ONU sacudiu a comunidade médica mundial que mesmo após os avanços científicos, com a criação de drogas potentes, o número de doentes cresce assustadoramente. Hoje, 30,6 milhões de pessoas vivem com o vírus HIV, sendo que 6 milhões destes foram infectados no ano passado. Em números podemos dizer que são 16.000 novos casos por dia, sendo a sua grande maioria populações dos países que vivem em completa miséria, sobretudo a África e a Ásia.

O avanço da doença nos países subdesenvolvidos sempre foi um dos maiores temores dos especialistas já que grande parte dessa população não sabe que carrega o vírus e quando o sabem não possuem meios para se tratarem. Estima-se que o custo mensal de um tratamento é de, no mínimo, 1.000 reais — muito dinheiro para nações que sofrem com a fome e a mortalidade infantil.

O grande balde de água fria na comunidade médica ocorreu na 12ª Conferência Mundial da Aids,onde foi anunciada os primeiros casos de contaminação de pacientes por uma cepa do HIV resistente aos medicamentos mais sofisticados. Já havia relatos de doentes que desenvolviam resistência às drogas. Mas não se esperava que essa versão fortalecida do vírus pudesse ser transmitida. 

A capacidade de mutação do HIV joga água fria também na esperança de que uma vacina contra a Aids estaria ao nosso alcance. “O vírus é extremamente mutante e não conseguimos prever como ele reagirá às novas terapias”, afirma o doutor Timerman. As pesquisas mais avançadas no desenvolvimento de uma vacina utilizam uma proteína encontrada na superfície do HIV que serve de porta de entrada para a contaminação das células do corpo humano, a gp 120. O problema é que se trata de uma das estruturas do HIV mais suscetíveis a mutações. A imunização conseguiria, portanto, proteger contra uma ou duas versões do HIV, mas não contra todas. 

O que nos dá um certo ânimo é que, quando se trabalha com a prevenção o índice de contaminação pode ser regulado. No Brasil, que ainda não podemos dizer ser um país que trabalhe com a prevenção e sim com o tratamento, desde 1995, contabilizam-se os mesmos 17.000 novos casos por ano. Na Europa Ocidental, entre 1995 e 1997, caíram 38%. 
 
Fonte: GAPA
 
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