Viver com AIDS::::
01.12.2004-Brasil, o pais que subestimou a Aids
Hoje é o Dia Mundial de Luta Contra a Aids, que tem como tema este ano as mulheres, as meninas e a doença. Hoje o Ministério da Saúde divulgou um boletim epidemiológico, que, pela primeira vez, mostra um mapa da doença, com número de casos por raça e cor.
O governo cruzou os dados sobre a Aids no Brasil e descobriu 41.250 pacientes que ainda não estavam notificados. A conclusão é que o número de casos não está caindo no ritmo que se imaginava. Pela primeira vez a pesquisa traz dados mais detalhados da doença: 51% dos doentes são brancos e 33% negros ou pardos.

Há uma tendência de crescimento da Aids entre os negros, os mais pobres e com menor escolaridade. Entre os usuários de drogas injetáveis e também entre homossexuais ou bissexuais a doença está em queda. Cresce, porém, entre os homens heterossexuais e principalmente entre as mulheres.

Na década de 80, eram 16 homens para cada mulher infectada. agora são apenas 2 homens doentes para cada mulher portadora do HIV.

Este ano alguns estados tiveram dificuldades na distribuição de remédios para o tratamento da Aids e foi preciso substituir drogas e trocar dosagens. Para Pedro Chequer, diretor do programa de Doenças Sexualmente Transmissíveis-Aids, este é o sinal que o país precisa quebrar patentes de medicamentos que hoje são importados. A meta é produzir internamente, já no ano que vem, pelo menos três novas drogas para o tratamento da doença. "Se nós não avançarmos para a auto-suficiência em produção nacional o programa entrará em colpaso e é por isso que o governo está tomando medidas em tempo hábil para que isso não venha a acontecer no futuro", declarou.

Entre os jovens, a preocupação maior é com as meninas. o número de garotas entre 13 e 19 anos com Aids subiu 120% em uma década. Atualmente são 3.076 adolescentes doentes.

Ana Paula Prado se contaminou há sete anos. Nunca imaginou que poderia pegar Aids, porque tinha um parceiro fixo. Hoje ela coordena um grupo de apoio a portadores de HIV. Para ela, além de quebrar patentes dos remédios, o governo tem que levar a discussão sobre Aids para a sala de aula para criar uma geração mais cuidadosa com a saúde. "Cada um até sabe o que é Aids, que ela existe, mas a gente não consegue se perceber numa situação de vulnarabilidade. Isso não aconteceu comigo e não acontece com as pessoas", afirmou ela.

Fonte: Jornal Hoje- Rede Globo

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