- Empresas não agem contra aids
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Deu
no
Valor Online-
A maioria das empresas do planeta não está fazendo o suficiente
para ajudar na luta contra a aids. Esta é uma das conclusões de uma pesquisa
desenvolvida pela Iniciativa Global de Saúde, do Fórum Econômico Mundial,
divulgada ontem em Genebra.
"Com algumas exceções, o setor privado ainda tem que adotar um
papel de liderança amplo na resposta ao HIV/aids. Embora algumas empresas
ofereçam exemplos de boas práticas, muitas carecem do conhecimento, da vontade e
das capacidades para responder eficazmente à epidemia", conclui o relatório.
De acordo com a pesquisa, o número de empresas em todo o planeta
que providenciaram ações contra a Aids é bem pequeno: apenas 6% redigiram
políticas específicas relacionadas à doença, enquanto que 14% adotaram programas
informais, como distribuição eventual de folhetos. Para o estudo, foram ouvidas
212 empresas brasileiras. Destas, 15% informaram ter redigido políticas e 29%
disseram ter adotado políticas informais.
Das firmas que formalizaram políticas em relação à Aids, apenas
18% fizeram menções contra a discriminação de funcionários infectados quanto a
promoção, salário e concessão de benefícios. "A maioria das empresas que
responderam ao questionário ignorou a discriminação relacionada ao HIV em suas
políticas. Ao invés de ajudar a quebrar as barreiras impostas pelo estigma, elas
podem estar sustentando ou até mesmo exacerbando o problema", afirma o
relatório.
O foco das políticas concentra-se na prevenção ao HIV. A maioria
das empresas (53%) prioriza a divulgação de informações sobre os riscos da
infecção com o vírus. Cerca de um terço vai além, oferecendo preservativos aos
funcionários e a realização de testes voluntários para detecção do vírus.
Quase a metade dos líderes empresariais pesquisados, 46%, espera
que a doença gere algum impacto nas operações de suas companhias nos próximos
cinco anos. Trata-se de um aumento de 9% em relação à pesquisa feita em
2004.
Entre as firmas mais preocupadas com o vírus, destacam-se as da
África subsaariana: o índice das que esperam algum impacto causado pela doença
nos próximos cinco anos é de 87%.
Para produzir o relatório - intitulado "As Empresas e o HIV/Aids:
Uma Parceria Mais Saudável?" e que também contou com a participação da Fundação
para Pesquisas Contra a AIDS (amfAR), da Escola de Saúde Pública de Harvard e do
Unaids (programa da ONU para a Aids) -, os pesquisadores entrevistaram quase 11
mil líderes corporativos, em 117 países. Calcula-se que 4,9 milhões de pessoas
foram infectadas com o HIV em 2005, levando o total de soropositivos em todo o
mundo para 40,3 milhões. As mortes decorrentes da Aids no ano passado são
estimadas em 3,1 milhões.
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