-
-
- Combate à Aids é mais caro no
Brasil
-
Dois laboratórios estão dispostos a concessões
A pressão econômica sobre a política de combate à Aids - que empenha 67% de
suas verbas em apenas quatro drogas importadas - tornou-se tão insustentável que
a União se viu obrigada a solicitar aos mesmos três laboratórios a Licença
Voluntária para produção de genéricos. Caso não receba autorização para
fabricação local, pode optar pela Licença Compulsória, quebrando legalmente o
monopólio. - A África do Sul realmente tem um preço diferenciado. Mas o que o
Ministério da Saúde deve fazer é buscar recursos. Quebrando patentes o país vai
sofrer problemas externos sérios e não vai ganhar nada - avisa Gabriel Tannus,
presidente da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma).
Antes que seus lucros seja pulverizados, duas das indústrias estão em busca de
soluções conciliatórias. A Merck pode conceder a licença voluntária do Efavirenz
- atitude que já havia tomado em 1996, quando o preço de seus produtos foi
reduzido em até 64% na gestão do então ministro José Serra. Já o Laboratório
Abbott anunciou que produzirá seus anti-retrovirais no Rio de Janeiro, em um
investimento de US$ 27 milhões até 2007. A decisão de nacionalizar produtos
quando há ameaça de quebra de patentes é vista como coincidência por Santiago
Luque, gerente-geral da Abbott. Para a economia brasileira, a "coincidência"
representará menos US$ 150 milhões em importações a partir de 2007.( ANDREI
NETTO)
(Última Hora – RJ)
Diretor do Programa de Aids já tinha apontado o problema referente ao preço
dos anti-retrovirais
Em evento realizado em São Paulo no último mês, o diretor do Programa
Nacional de DST/AIDS, Pedro Chequer, afirmou que o governo brasileiro não paga
um preço “justo” pelos medicamentos anti-retrovirais. “Um preço justo seria a
soma de todos os gastos para a produção do remédio (insumos, mão de obra, etc)
mais 15% de lucro do fabricante”, explica. O diretor informa que o
anti-retroviral Zidovudina custa duas vezes mais que o valor justo; o DDI 3,5
vezes mais e o Tenofovir quase 10 vezes mais. “Pagamos algo inaceitável no ponto
de vista econômico e ético”, disse. Ele citou ainda o D4T ( 2, 4 vezes mais),
3TC: (3,3 vezes), Nevirapina (1,5 vezes), Efavirenz (1,6 vezes), DDI: (3,4
vezes), DDI entérico: (6,8 vezes), Lopinavir (1,9 vezes) e Nelfinavir (1 vez
mais). Na ocasião, o diretor de Comunicações Coorporativas da Merck Sharp &
Dohme (fabricante do Efavirenz), João Sanches, respondeu as críticas, afirmando
que os cálculos de Chequer devem ser diferentes aos da sua empresa. “O preço
vendido para o Brasil se aproxima ao da África (venda a preço de custo, segundo
ele) equivale a 14% do preço nos Estados Unidos.”
(Agência de Notícias da Aids)
- Envie
esta página para alguém
-
|

|
|