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Agosto.2008
Cientistas brasileiros descobriram três substâncias que poderão ser usadas
para a elaboração de um anti-retroviral nacional, ou seja, um medicamento que
inibe a reprodução em células do vírus HIV causador da aids. O anúncio foi
feito nesta sexta-feira pelo chefe da equipe responsável pela pesquisa, o
imunologista Luiz Roberto Castello Branco.
O estudo vem sendo conduzido há 13 anos por pesquisadores do Instituto
Oswaldo Cruz (IOC), da Fiocruz; Fundação Ataulpho de Paiva (FAP) e Universidade
Federal Fluminense (UFF). A pesquisa contou com investimentos de US$ 1,5 milhão.
O projeto é apoiado pelo Programa Nacional de DST/Aids, do Ministério da
Saúde.
Os pesquisadores analisaram 22 compostos naturais obtidos de algas marinhas
encontradas no litoral do Brasil e selecionaram três substâncias, cujos testes
deram resultados “bastante bons”, segundo Luiz Roberto Castello Branco. Ele é o
chefe do Laboratório de Imunologia Clínica do IOC e diretor científico da
FAP.
De acordo com o imunologista, o interesse primordial dos cientistas “é fazer
um microbicida, isto é, um fármaco, que seria utilizado principalmente pelas
mulheres para a prevenção da doença”. Seria uma espécie de creme ou espuma
vaginal que seria usado pelas mulheres para evitar a contaminação pelo HIV.
O Brasil não tem até o momento nenhum medicamento nacional para a Aids. As
descobertas representam os primeiros medicamentos brasileiros em fase de estudos
pré-clínicos. A idéia é ter, em 2010, um medicamento pronto para estudo clínico
em humanos.
Para o paciente brasileiro, essas substâncias podem significar algumas
vantagens. Castello Branco apontou, por exemplo, o fato de ser um medicamento
mais barato, que poderá ser disponibilizado a preço de custo quando chegar ao
mercado - o que está previsto para 2015.
O imunologista também apontou o fato de o medicamento ser feito à base de
algas, que representa toxicidade mais baixa em relação aos que se encontram
disponíveis no mercado. Os resultados obtidos na fase pré-clínica indicam ainda
outra vantagem: o medicamento poderá ser associado a outros no tratamento da
aids, ou como microbicida, fazendo a prevenção da doença.
Os pesquisadores realizaram testes em células humanas, em tecidos retirados
de seres humanos e também em animais. A conclusão dos estudos demandará
financiamento de R$ 10 milhões. Os recursos incluem a construção de um centro
único das três instituições de pesquisa que participam do projeto para que seja
feito o teste das substâncias extraídas das algas e das que estão sendo
estudadas e modificadas.
Para Castello Branco, a descoberta de um produto nacional para combater o HIV
poderá representar uma economia de cerca de R$ 1 bilhão para o Brasil - valor
gasto anualmente com a compra de medicamentos no exterior e o pagamento de
royalties.
O imunologista afirmou que as algas que forneceram as substâncias em estudo
foram extraídas com autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e
Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Entretanto, os cientistas estão
desenvolvendo métodos alternativos para evitar a retirada das algas do meio
ambiente, por meio do cultivo ou uso de química para sintetização desses
medicamentos.
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