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O assunto do momento é o Padre Pinto, de Salvador. Ele encontrou uma forma
diferente de celebrar as missas: bailarino de formação clássica, vestido de
roupas espalhafatosas e olhos pintados (praticamente um Clóvis Bornay desfilando
pela igreja), presta homenagem a Oxum e aos caboclos fazendo performances que
são até comuns nos terreiros de Umbanda, mas que causam estranheza dentro da
Igreja (até mesmo pra uma velha senhora negra de Salvador, que já deve ter visto
de tudo na vida, e que, "pela antiguidade" dela, desaprovou).
Eu queria achar o vídeo com uma resolução melhor... esse não faz juz ao
glamour das roupas do Padre Pinto, e não dá pra ver ele com os olhos
esbugalhados enquanto dança como índio... eu simplesmente adorei! A igreja não
sabe se bota o Pinto pra fora ou deixa o Pinto dentro... da paróquia. Só sei que
no momento ele foi afastado "para tratamento médico", segundo a Arquidiocese. O fato é que o Pinto é tudo o que o Ratzinguer
não quer na Igreja Católica. Durante a festa de Reis ele chorou e pediu que não
o tirassem da paróquia, onde está há 20 anos. Foi afastado no mesmo dia.
Uma pena... eu gostaria de ter visto isso pessoalmente, principalmente por
causa da coreografia do indiozinho lá no púlpito, que me lembrou o videoclipe
Thriller, de Michael Jackson. Fizeram essa celeuma toda só por causa das
danças, do visual... Mas, será que por baixo de toda a maquiagem e roupas,
alguém notou que havia ali um apóstolo de Cristo, um Sacerdote, enfim, um Padre?
Será que alguém se interessou pelo que ele tem a dizer? E ele deu seu recado, perfeitamente cristão, naquela
mesma missa: "Basta lembrar que os três reis magos que presentearam Jesus menino
representavam povos diferentes, donde se conclui que negros, brancos, amarelos e
índios são iguais diante de Cristo. As classificações são invenções humanas que
só servem para justificar exclusões" - assunto muito em voga hoje em dia, com a
"discriminação positiva", incentivada pelo governo para preenchimento das vagas
de ensino e trabalho - e ressaltou que cada cidadão está devendo três presentes
ao coletivo: a justiça, o amor e a paz. E fez discreta, mas ácida crítica
aos eventos espetaculares de promoção da paz, como o abraço no Dique do Tororó e
os três minutos de silêncio previstos para o Rock in Rio pela vida. "São
bonitos, mas costumam tratar a paz como se ela fosse surgir num passe de
mágica. Ela, no entanto, jamais virá se não formos justos e amarmos uns aos
outros".
- Faço minha as palavras de Rosana Hermann: "De qualquer forma, é sempre melhor ver um
padre nos noticiários pelas suas inovações estéticas do que por atividades
pedófilas". O único crime deste homem foi ter "estilo" numa organização que
preza pelo impessoalismo. Mas eu respeito e entendo perfeitamente a posição da
Igreja Católica, afinal ela possui ritos e tradições seculares que não podem de
uma hora para a outra serem trocadas por ritos de outras religiões. O papa, por
exemplo, possui um código de conduta compatível com seu cargo, e não pode, de
uma hora pra outra, dar a doida e sair por aí com um gorro de Papai Noel na
cabeça, ou acordar de mau-humor e ir rezar a missa com uma medalha nazista no
peito...
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