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Abafe
o
caso...
- Macho
Man
homens de um lado, bofes do outro – ou a
Confraria de Adãos e Evas
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Uma
piada de “humor negro” conta que ao ser perguntado
se era racista, um alemão respondeu: “Não. Sou apenas
organizado – negros de um lado, brancos do outro”.
Ironias e políticas à parte, sempre foi de diferenças
e maniqueísmos que o mundo foi feito. O “problema”
é que ele agora está sendo refeito e quase nada
é como antes; a começar pelos Adãos e pelas Evas.
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- Depois
da Parada Gay de São Paulo, (que já começa bem antes
do desfile na Paulista), a cidade terá também a
2ª edição da Parada do Orgulho Hétero e Simpatizantes.
Fico me perguntando o que é ser simpatizante heterossexual:
se o gay que queria ser hétero ou o hétero que não
sabe se é gay. Sim, porque, muitos heterossexuais
pressupõem que a santa heterossexualidade é uma
trindade natural, normal e, por isso, praticamente
inquestionável. Mas, enfim, a Parada vai acontecer
pelo segundo ano consecutivo, com esperanças de
que a parca multidão de 30 pessoas da edição inaugural
ganhe reforços! E como a Parada Gay só cresce –
independente das suas motivações – a Parada Hétero
promete!
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- Há
quem diga, inclusive, (em mais uma apimentada piadinha),
que os héteros devem fazer a sua Parada mesmo; afinal,
eles são cada vez mais uma minoria no mundo. Já,
já podem reivindicar uma política de cotas.
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- Apesar
de soar estranho à primeira vista, acho que o movimento
deve ser visto mais com bom humor, do que como algo
que realmente mereça ser levado à sério. Embora
pareça que uma parcela sexual que seja maioria não
tenha nada a reivindicar, é instintivamente compreensível
que todo ser humano tenha sempre do que reclamar.
Isso, sim, já nasce com a gente. Junto com o “velho
e bom” recalque.
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- Em
matéria veiculada na Folha de São Paulo, o organizador
da Parada do Orgulho Hétero, Cristiano Vicente,
de 20 anos, diz que “o evento não é uma afronta
aos gays e que rejeita qualquer manifestação homofóbica
na comunidade no Orkut”. Ponto pra eles. Quem sabe,
não avisam também ao Manno Góes, do Jammil. Pra
gente fica também um alerta: se a bandeira do arco-íris
defende a diversidade, tem por coerência fazer um
esforço para realmente vivenciá-la na prática. Até
porque o que é diferente não pode mesmo ser homogêneo
em meio às tantas incógnitas do “tecido” gente.
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- A
verdade única do “todo mundo junto” não existe mais
nem em bloco de carnaval, quem dirá nessa loucura
de matizes variadas em que se refaz o mundo.
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- Acho
que a real intenção da Parada do Orgulho Hétero
seja mesmo chamar atenção, polemizar, dar manchete,
ironizar. E só. Mesmo porque eles não devem conseguir
mais que isso. Bobo é quem cai nessa tática tão
velha quanto a Hebe Camargo e sai por aí a atirar
para todos os lados.
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- Talvez,
o maior risco desse “tudo pode”, seja mesmo a banalização
de assuntos e questões realmente mais sérias, que
peçam uma “parada” para reflexão. E cá pra nós:
parar a maior avenida da maior e mais importante
cidade do País não é pra qualquer um.
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- Vamos
deixar as críticas de lado e os machos e fêmeas
assumidos se divertirem! A “confraria” será no dia
1º de junho, a partir das 15h, também na Paulista.
Mas, atenção: sem direito à festa, trios, imprensa
mundial, políticos, questões a serem discutidas
e balões coloridos, tá gente?! Façam suas apostas.
A organização espera um público recorde, maior que
o do ano passado, quando posaram para a foto oficial
exatas 30 pessoas. Como diria Dimy Kier, acredita
na foto!
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Flávia Figueiredo é escritora, produtora de Rádio
e TV, formada em Comunicação Social pela Universidade
Estadual da Bahia (Uneb).
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- Crédito
da foto: bla-blaismo/Flávia
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