Muito cuidado com o que fala!
 Leo Kret, rebate as opiniões de líderes do Movimento Gay baiano e Luiz MOtt apresenta carta aberta em jornal de grande circulação.
 
@Por Luiz Mott
Outubro 2008
 
Quando Leo Kret nasceu, o Grupo Gay da Bahia já tinha três anos de luta contra a homofobia. Lutamos duro nesses quase 30 anos de existência para garantir o direito de hoje uma transexual ocupar um lugar na Câmara Municipal de Salvador. Ela tinha um ano quando nossa Câmara comemorou pela primeira vez o "dia do orgulho gay". Era tempo da ditadura, e, no seu segundo aniversário, a mídia ainda divulgava esta sentença de morte: "Mantenha Salvador limpa, mate uma bicha todo dia!"

Quando Leo Kret completou quatro aninhos, o GGB foi a primeira ONG gay do Brasil a ser declarada de "utilidade pública municipal". Em 1990, quando apagava sete velinhas no bolo de aniversário, a Câmara de Salvador pela primeira vez no Brasil incluiu na sua lei orgânica a proibição de discriminar por "orientação sexual". Quando festejou 12 anos, o GGB fundou a Associação de Travestis e Transformistas de Salvador, a primeira do Nordeste, e que persiste até hoje defendendo as "trans": travestis, transformistas, transexuais, transgêneros. Em 97, nos seus 14 anos, quando deve ter começado a se afirmar como "trans", a nossa Câmara aprovou a Lei Municipal nº 5275/97, que penaliza a homofobia em Salvador.

Em 2005, a Câmara celebrou pela primeira vez o Dia Mundial contra a Homofobia. É a partir desse ano que Leo Kret se torna freqüentadora assídua das reuniões de conscientização do Projeto Se Ligue, na sede do GGB, aprendendo com o coordenador Cristiano Santos nossa palavra de ordem: "Gay, lésbica, travesti, transexual, tudo é normal: o preconceito é que faz mal!". Foi no GGB onde fez suas primeiras entrevistas e vídeos, e no alto do nosso trio da parada gay do ano passado onde recebeu o título e faixa de "fadinha".

Portanto, a vereadora Leo Kret tem uma dívida histórica com o movimento translesbigay da Bahia e do Brasil: tem de ser nosso orgulho! Já que foi eleita pelo mesmo partido do bispo Crivella, siga este sábio conselho de Jesus: "Eis que eu vos envio como ovelha para o meio de lobos; sede, portanto, prudente como as serpentes e simples como as pombas" (Mateus 10:16).

A vereadora Leo Kret tem de tomar muito cuidado, pensar mil vezes antes de falar. Desconfie dos "assessores" de última hora. Tem de ser ela mesma, exigir respeito, mas também se dar respeito! Cidadania não tem roupa certa, mas a dignidade do cargo para que foi eleita exige compostura, dignidade. Clodovil, infelizmente, apesar de sua inteligência e de ser campeão de votos, nos envergonhou e foi excomungado pelo movimento LGBT.

Que Leo Kret não cuspa no prato que comeu, nem destrua tantos anos de luta e vitórias do nosso movimento. Que faça tudo com a máxima dignidade e competência, para que todos nós que não votamos nela sejamos seus eleitores convictos nas próximas eleições. A política é a arte do diálogo! Boa sorte, vereadora Leo Kret.
Fonte : Jornal A Tarde, enviada pelo internauta: Marcos Fontes Neres para a redação do Portal Farofa Digital
 
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