Abafe o caso...

 Quem inventou esta coisa de KIUUUUU?
Dizem que baiano não nasce, estréia, imagine a biba baiana, deve nascer purpurina...
Agora na Bahia é um tal de Kiu pra cá e kiu pra lá, a coisa está tão popular que até os bofes hetéros ficam soltando kiu para as bibas mais afetadinhas na rua.
 
E quem não faz parte deste meio ou é de fora e está chegando na cidade deve ficar se perguntando; Mas o que quer dizer este troço de Kiu???
 
Fizemos uma pesquisa básica para identificar de onde surgiu este linguagem de mona quá quá e vamos te explicar tudinho até chegar ao denominador comum do porquê que os desfavorecidos culturalmente estão adorando soltar kiu para os outros viados e até os hetéros acabaram adotando a churria.
 
A pesquisa
Se esta cidade é mesmo do axé, só podia partir de lá dos terreiros de candomblé, a palavra Kiu nada mais é que um grito de referência à Oxossi, o chamado Ilá de Oxossi. Nos tradicionais rituais o kiu significa que o santo está baixando. Embora a saudação do povo do terreiro seja Ode, òkè àró (Salve, oh Caçador), quando o santo chega ele vem soltando Kiu pra todos os lados.
 
As bibas mais abusadas, cansadas daquele velho vocabulário cor de rosa resolveram reciclar a palavrinha dos terreiros de umbanda e transformar numa churria daquelas, bem perigosa e exageradamente malíciosa. Segundo a nossa pesquisadora Lukytto, a bicha que solta um kiu pra outra está mesmo é a fim de gongar a coitada, ou seja, um simples kiu pode significar que a biba é: maloqueira, dadeira, bicha UÓ, aquela que dá susto no medo , rebolativa, fechativa, viadinho demais pro meu gosto, ou qualquer outra conotação depreciativa em relação á vitima kiuzada, exemplo:
Em vez de quando você ver uma biba que você odeia passar e dizer; Lá vai aquela biba baixo astral, simplesmente você solta um kiuuuuuuuuuuu bem longo e com um tom de voz bem fininho lembrando um piar de um pinto, pronto, a biba vai logo entender que é pra ela.
 
E quando a biba é de fora da cidade e recebe um Kiu?
As desinformadas depois desta matéria vão estar atentas a qualquer "kiuzinho" e não vão fazer como a minha amiga carioca que recebeu um kiu em pleno Porto da Barra, olhou para a bicha que mandou o dito "kiu" e me falou no ouvido;
Amiga aquele bofe está ma paquerando.
Para não deixar a bichinha encantada e iludida, fui falando francamente assim como a Sônia Abrão;
Não se trata de uma paquera mãe e sim de uma gongação das bravas...
 
E na Academia, os bofes adoram soltarkiu para identificar viado.
Cuidado, nas academias da cidade é um tal de kiu pra lá e kiu pra cá, se você olhar, os bofes logo vão saber que você é daquelas que adora alisar e beijar  jibóia e corre de medo de uma perereca.
 
Um kiu de consolação.
Se você é daquelas que quando recebe um kiu sente dor até na alma, se console de que o kiu também pode ser interpretado como puro despeito da mona que está mandando.
Chegando ao denominador comum
Talvez você não saiba mais qualquer que seja a churria, no fundo deste poço mora um pouco de despeito e falta de educação da mona que adora falar dos outros e não olha pro seu próprio rabo, então, o melhor mesmo é você ficar na sua, se receber um kiu na rua, faça de conta que não é com você ou que é um passarinho piando, o segredo é relaxar e deixar que os outros façam a churria e sintam que não está te incomodando porquê você é superior a tudo isso, afinal, quem corre de formiga é elefante.
Brincadeira ou não, soltar kiu para os outros é algo tão pequeno em meio a tantas coisas legais que a gente pode aprender e engrandecer o nosso meio culturalmente sem precisar de linguagens sub-culturais que diminuem tanto a nossa educação, estimula o preconceito e desvaloriza a nossa inteligência.
 
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