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Bissexuais são o futuro.
 
Nossa colunista diz o que pensa desses invejados cidadãos
Por Milly Lacombe

Eu acho que se George W. Bush não destruir o mundo, num futuro ainda um pouco distante seremos todos bissexuais. Digo isso em resposta a muitos e-mails que me perguntam o que eu penso sobre os que gostam de meninos e meninas. Pois é isso o que penso: que o homem e a mulher sexualmente desenvolvidos serão capazes de gostar da alma, não do corpo. Acho mais: acho que gays e héteros são incompletos porque travaram, em algum ponto, o desenvolvimento da sexualidade. Mas o curioso é que quase todos os bissexuais que me escrevem reclamam de serem marginalizados pelos dois grupos: nem totalmente aceitos entre héteros, muito menos por gays. O que chama atenção é o “muito menos”. Mas é assim mesmo: nós, gays, não conseguimos suportar dissidências. E há boas desculpas para isso.

A pequenez humana
Quando somos crianças crescemos com a certeza de que não há no mundo alguém que sinta as esquisitices que sentimos. Somos estranhos a nós mesmos e poderíamos apostar que, dos 6 bilhões de habitantes da terra, apenas cada um de nós, no auge da própria egotrip, veio ao mundo equipado para sentir atração por pessoas do mesmo sexo. Por isso não ousamos comentar com ninguém. O momento em que topamos com outro extraterrestre é, portanto, único. É quando saímos um pouco da neura, quando nos damos conta de que não estamos sós.

Acontece que, normalmente, esse outro “igual” vira amante e a neurose volta, agora fechada no núcleo de dois. Quando então enxergamos a comunidade, o enorme grupo de estranhos como nós, queremos mais é ficar ali abrigados, no conforto da igualdade. Então, é de irritar que um de “nós” saia da blindagem para se juntar a “eles”. Terrível, mas verdadeiro. Esse é o tamanho da pequenez humana. Esse é o tamanho da nossa dor: queremos tanto ser um grupo, queremos tanto ser reconhecidos que não somos capazes de lidar com aqueles que vieram equipados com a capacidade de gostar de meninos e meninas. Mas eles existem, estão por aí, transcendendo comunidades e barreiras.

Bis penam mais
Acho que viveremos para ver o mundo um lugar mais justo, menos preconceituoso, mais tolerante. Mas não acredito que nossa geração vá ficar por aqui tempo suficiente para testemunhar a aceitação ampla da bissexualidade. Pode parecer absurdo, mas creio que os puramente gays serão tolerados mais rapidamente do que os bi. Até porque, gays só precisam da aprovação de um grupo: o dos héteros. Já nossos colegas bissexuais terão que fazer campanha para entrar em dois.

 

Até lá, que pelos menos consigamos enxergar a beleza que existe na capacidade de amar, simplesmente.

 Agradecimentos: Revista Trip
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