“Deve-se
fazer tudo que se tem vontade. Antes que seja tarde
demais”. Esta afirmação é a resposta dada por A.
T., noivo de uma mulher há 5 anos, quando inquirido
sobre o que costuma fazer em banheiros públicos.
Para ele (e muitos outros), banheiros são sinônimos
de satisfação sexual rápida e anônima. Encontros
fortuitos entre pessoas do mesmo sexo ocorrem amiúde
em banheiros de locais públicos como shoppings centers,
rodoviária, estações de transbordo como a Lapa,
cinemas, etc. M.S., segurança de um dos shoppings
mais populares de Salvador, estima que isto aconteça
há anos.
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- Ele
assegura que são sempre as mesmas pessoas que “freqüentam”
os banheiros. São clientes, atendentes de loja que
aproveitam suas pausas, além de alunos de cursinhos
pré- vestibulares. “Eles chegam às vezes a subir
no vaso sanitário para espiar a pessoa que está
no outro lado”. Flagrar esses encontros tornou-se
algo corriqueiro para M.S. Ele conta que, quando
a situação esquenta, é necessário abordar os praticantes,
que quase sempre alegam estar sofrendo discriminação,
devido à sua orientação sexual. O que se desconhece
é que praticar ou simular ato obsceno que ofenda
o pudor público em geral pode ser enquadrado como
crime, desde que haja conotação sexual. A lei brasileira
prevê pena de reclusão de três meses a 1 ano ou
multa para praticantes desse tipo de ato.
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- Para
A.T., que se considera heterossexual, ter conhecimento
da proibição não é impeditivo, é ainda mais estimulante.
Porém, ele faz questão de destacar que, nas relações
homossexuais que pratica, assume sempre a postura
de ativo, isto é, aquele que penetra, o“macho”.
O banheiro é um local recorrente por ter também
um grau de exposição reduzido. “Em espaços abertos,
eu não me arriscaria e minha noiva poderia ficar
sabendo”, afirma convicto. Já para Daiane Moura,
22 anos, um gay que prefere ficar num lugar escondido
é porque “não tem personalidade”. Em sua opinião,
é preciso encarar a sociedade, desprezando o preconceito.
“Você não se assumindo tem preconceito contra si
mesmo”. Vale ressaltar que, após Daiane ter assumido
ser lésbica, parte de sua família cortou por completo
as relações que tinha com ela.
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- Riscos
- Expor-se
ainda é um risco grande. Sabe-se que o ódio e a
repulsa cultivados por pessoas homofóbicas se refletem,
em muitos casos, em agressões verbais e físicas
cometidas contra homossexuais. Segundo dados difundidos
pelo GGB (Grupo Gay da Bahia), a cada dia no Brasil
um homossexual é assassinado com requintes de crueldade.
Neste cenário de intolerância, banheiros podem ser
um meio facilitado de se obter prazer sexual, sem
demasiada exposição, dispensando as etapas de apresentação
– procedimentos comuns utilizados quando se quer
- conhecer
alguém.
-
- Alguns
“encontros” são combinados a partir de trocas de
olhares, através dos espelhos, enquanto, geralmente,
se finge estar lavando as mãos. Se houver reciprocidade
no flerte, utiliza-se, então, de gestos para indicar
a cabine disponível. Otaviano Reis, coordenador
do GGB, defende que banheiros são exclusivamente
para atender às necessidades fisiológicas.
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- Acredita
também que este fato prejudica a imagem que a sociedade
pode ter dos homossexuais, o que pode levar a generalizações
preconceituosas, estimulando a discriminação. Outro
risco dos encontros é a ausência de medidas de proteção
contra as doenças sexualmente transmissíveis, sobretudo
a AIDS. P. S., operador de telemarketing, reconhece
que nunca utilizou nenhum tipo de proteção, mas
que, até hoje, somente fez sexo oral e masturbação,
nada mais além disto, como se desta forma estivesse
isento.
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- Banheiro
exclusivo gera polêmica
- Após
sua filha de 6 anos ter presenciado a troca de roupas
de um travesti em um banheiro feminino, o presidente
da escola de samba Viradouro (Niterói-RJ) propôs,
no ano passado, a criação de um banheiro diferenciado:
exclusivo para travestis e transexuais. A proposta
do sambista não foi a única. retrocedendo lembramos
que no dia 13 de dezembro
de 2005, foi aprovado pela Câmara Municipal de Nova
Iguaçu, interior do Rio de Janeiro, um projeto de
lei obrigando casas de shows, shoppings, cinemas,
restaurantes, clubes e similares a criar o 3º tipo
de banheiro. No ano de 2006, atendendo às reivindicações
de um grupo de travestis que não se sentem à vontade
para utilizar o banheiro masculino, nem o feminino,
a Câmara de vereadores do município de Pombos, no
agreste de Pernambuco, decidiu aprovar projeto de
lei com a finalidade de construir um banheiro destinado
a homossexuais.
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- Algumas
organizações e grupos que são contra a criação desses
banheiros alegam que as pessoas devem ser reconhecidas
pelo que denominam “identidade de gênero”. Não devem
existir vários banheiros para distinguir as pessoas.
Acreditam que cada um deva utilizar os banheiros
com sua identidade de gênero. Segundo Otaviano Reis,
coordenador do GGB, o grupo é completamente contra
a criação desse tipo de banheiro. “É uma atitude
preconceituosa”. Adria Verusca, 24 anos, estudante
de Enfermagem, vê o projeto como algo semelhante
ao que foi feito na Alemanha por Hitler. “O que
é que impede uma pessoa que tem uma orientação sexual
diferente daquela da maioria, freqüentar o mesmo
banheiro?”, questiona indignada.
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- Nota
sobre o autor
- Anderson
Sotero é estudante de Jornalismo da UFBA e faz
parte da equipe de reportagem da Faculdade de
Comunicação da Universidade Federal da Bahia.
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